5 de set de 2013

Além da volta ou do que pensamos?

Além de pensar, o agir. Uma dor, uma falha, um estranho. Estranho maior? Quem poderá nos salvar de tamanha tribulação? E a dor? 

Existem caminhos de um só sentido. Ou seja, não há volta. Mas, quais são esses? Como detectar de antemão? É necessário sofrer pra não conseguir voltar ou alguém poderia ter-nos avisado? Um caminho é sempre aquele pelo qual percorremos com nossos próprios passos. Passos estes que podem nos levar ao certo ou errado. Mas, quem sabe isso? Eu escreve linhas tortas e ruins, num português falho de quem passou um ano inteiro sem a coragem de publicar um texto sequer. 

Mas, após esse tempo todo, a gente ou constata a volta ou não. Será que estou além da volta? Ou seja, num ponto onde ela não existe mais? O que deverá acontecer para que o momento da volta seja verdadeiro e o resto desapareça? A mudança é permanente?

Medos e dificuldades. Isso caracteriza uma vida, um caminho. Espero estar além do que penso, apenas. Que a volta seja real.

10 de jul de 2012

Sofrimento


O sofrimento pode ser o caminho através do qual chegamos às nossas verdades. A estrada pela qual chegamos à maturidade atravessa, necessariamente, a escuridão e a solidão. A escuridão, porque sofrer implica perder as referências, desdenhar das explicações, questionar os clichês e aventurar perguntas. A escuridão é o momento quando não caminhamos porque vemos, mas porque intuímos, recordamos e temos fé. Intuímos o rumo certo pelo tanto que já caminhamos, recordamos as experiências aprendidas em momentos semelhantes no passado e andamos por fé, que supera as trevas, prescinde de explicações e transcende as certezas.

A solidão é imprescindível na trilha do sofrimento. A dor pode ser compartilhada, mas jamais transferida. Pode ser percebida, mas não capturada. Pode até ser escondida, mas nunca suprimida. Quem sofre, sofre sempre em solidão. Não necessariamente porque lhe falta boa e providencial companhia, mas porque todo sofrimento pessoal, em sua dimensão mais profunda e essencial, é intransferível. O sofrimento tem sua realidade particular, e não pode ser diferente: cada um sofre por uma razão, é vitimado em áreas distintas, por motivos diversos e com respostas as mais variadas, num dégradé de resiliência que vai da meninice do chororô ao heroísmo quase estóico, incluído entre os tons das cores a grandeza da fé, resignada e esperançosa, e por isso engajada e mobilizadora.

O sofrimento desperta para o ético e o estético. Convoca virtudes adormecidas a que subam ao palco: coragem, perseverança, paciência, honradez, respeito à vida. Possibilita o lapidar do caráter, apara arestas, harmoniza as formas, faz irromper a beleza escondida na frieza do coração. O sofrimento quebranta orgulhosos, vaidosos e prepotentes, faz desmoronar intransigentes, legalistas e moralistas. Como o martelo do escultor, retira os excessos da pedra e dá à luz o belo, o sublime, o deslumbrante.

Quem sofre descobre seus limites, identifica verdadeiras amizades, vislumbra novos horizontes, abre a mente para novas verdades e o coração para novos amores. O sofrimento produz compaixão, evoca misericórdia, gera solidariedade. O sofrimento cria caminhos para arrependimentos e confissões, subverte juízos e sentenças, possibilita aproximações e reconciliações.

O sofrimento coloca homens, mulheres, velhos e crianças, de joelhos. Faz com que os olhos procurem os céus. Dilata a alma para o mistério, conclama o espírito para o inefável, inspira poesias e canções, faz surgir nos lábios o perfeito louvor. Quem sofre aprende a perdoar e pedir perdão. Ganha a oportunidade de colocar o rosto no chão, em clamor e oração. O sofredor jamais chora em vão. Deus habita também a sombra e a escuridão.

O sofrimento é o ônus do viver, o custo do amor, a paga pelo crescimento, o preço da maturidade. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães. Amar é muito precioso. Crescer é muito doloroso. Amadurecer é muito custoso. Crer é coisa de teimoso. O sofrimento diminui o poder da morte, dissolve a crueldade da indiferença, envergonha a pequenez da alma, desmascara o mundo de mentirinha da ingênua infância, quebra a maldição da incredulidade. Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé.

© 2007 Ed René Kivitz

18 de out de 2011

Único dono

 
Já parou pra pensar na vida hoje? Eu já. Eu penso nela todos os dias. Acho que todo mundo faz isso... Pensa na vida. E pensa, principalmente, na sua própria vida e as coisas que fazem parte dela. Sabe em que todos esses pensamentos sobre a vida giram ao redor? Nosso eu. E eu penso, que tudo o que fazemos na nossa vida, se baseia na busca daquilo que queremos ter. Eu quero - eu busco - eu tenho.

Mas eu me dei conta, na prática, de que temos a capacidade de desejar muitas coisas, mas nem todas alcançamos e muito menos temos. Mas, mesmo eu alcançando algumas coisas, elas nunca vão ser minhas de fato, sabe por quê?
 
Eu e você temos o hábito de guardar coisas. Como aqueles colecionadores de figurinhas ou sei lá o que... nós queremos guardar as nossas coisas preferidas, mostrar pra todo mundo que é nosso, que é valioso e Deus o livre de perdê-las! Essas coisas ficam entocadas no nosso coração... um lugar secreto da nossa alma. Lá nós tentamos guardar os nossos maiores tesouros. Mas sabe o que nós demoramos de nos dar conta? Tudo o que habitualmente tentamos guardar no nosso coração, se tratando de coisas materiais, não é guardado de fato. Posso eu guardar fotos? Meu carro? Meu bicho de estimação? Uma pessoa? Óbvio que não.

Quando você acha que tem uma casa, vem um tornado e leva tudo embora. Era sua mesmo? Não! Porque você não tinha controle sobre ela... você não a dominava... ela se foi. Quando você acha que tem um celular bacana, vem um ladrão descarado e passa a mão. Era seu mesmo? Não, né? Senão ninguém te roubaria. Quando você acha que tem alguém que ama, ela te abandona sem muitos motivos ou até bons motivos. Ela era sua? Não... não... nada é de ninguém e ninguém é de ninguém. Simples e trágico. Nós achamos que temos, mas não temos nada. Só exite um único dono de todas as coisas, e é aquele quem criou elas. Ele é o único que domina as coisas da vida, é quem dá e quem tira... é quem cria e destrói... é quem realmente possui.

Sim, tudo - tudo - é dEle! E é por Ele e para Ele, como diz Romanos 11:36. Ele criou todas as coisas por meio dEle e para Ele e não para nos satisfazer. As coisas que fazem parte da nossa vida veio dEle. Até as coisas que os homens criam de alguma forma são fruto do que já existia, criado por Ele... e nós tentamos possuí-las como se fossem nossas!? O próprio homem é dEle, e nem mesmo o homem pode ser dono de sí. Pode o homem determinar o seu nascimento ou a sua morte? Pode o homem fazer tudo o que quiser, quando quiser e do jeito que quiser? Ou possuir tudo o que quiser? Não mesmo. O nosso desejo de possuir as coisas é em vão... e vou te dizer... é um péssimo negócio. Não temos condições de possuir nada.

O que eu quero dizer com tudo isso, é que a medida que acumulamos as coisas na vã tentativa de possuí-las, não as possuímos de fato, mas temos o nosso coração dominado por elas. Quando o nosso coração é dominado por algo ou alguém que nós mesmos guardamos pra nós, como nosso, a nossa vida é influênciada por isso a tal ponto que a nossa estima, alegria e tristeza dependem delas. Se as perdemos, ficamos perdidos! Porque elas são tudo para nós.

Diante disso, Deus me chamou a entregar algumas coisas que pra mim eram e continuam sendo muito importantes, e que dominavam o meu coração. Deus, gentilmente, bateu na porta do meu porão e me pediu os meus "bens". Não é fácil abrir mão das coisas que amamos. Dói. Achamos que abrindo mão delas a nossa vida não vai valer nada. Mas é preciso entender que elas não são nossas, são dEle... e que o nosso coração não deve ser dominado por nada nem ninguém, mas, assim como cada fibra do nosso corpo e cada pedaço do céu é dEle, eu tenho que ser inteiramente dEle e para Ele.

Quando eu entendi que as "minhas" coisas me dominavam e tomavam o lugar de Deus no meu coração, eu as entreguei nas mãos dEle confiando que nEle elas ficariam melhor. Mas a maior lição que eu tirei disso não foi simplesmente entregar coisas importantes nas mãos de alguém que ia cuidar melhor do que eu. Esse não era o propósito principal da minha entrega e o meu foco ainda continuaria nas coisas. Mas foi esvaziar o meu coração para que ele fosse totalmente dominado pelo único dono de todas as coisas. E sabe o que é melhor? Se Ele é quem domina o meu coração, eu tenho o mais importante.

Entender isso pode parecer complexo. Entregar o que aparentemente é nosso a Deus pode parecer difícil. Mas a sensação que temos quando confiamos o nosso coração a Ele não é de um coração vazio... mas de um coração leve e dominado por tudo o que Ele é. Se coloco as coisas nas mãos dEle, ainda que elas sejam destruídas, roubadas, perdidas... eu sei que de fato não serão, pois tudo é dEle, veio dEle e retorna para Ele, assim como a mim.

8 de abr de 2011

Tá tudo invertido!

Quando o título vem antes do texto, a coisa é feia! Sabe o que acontece? Essas tragédias que tanto nos comovem representam momentos muito frágeis e fazem com que as pessoas externem suas emoções e nelas suas opiniões diversas. Já ouvimos falar do desarmamento, da impunidade, do horror. Mas e onde tudo isso se encaixa de fato nessa sociedade Brasil?

O que ocorreu ontem, de modo muito estranho - e talvez repreensível -, não me abalou da forma como costuma ser. Talvez a forma como eu enxergue a realidade me faça visualizar as coisas por outro ângulo. Para mim, as crianças mortas na barbaridade de ontem, em nada são diferentes das que morrem todos os dias em sociedades desfavorecidas, devido a fatores muito mais assustadores que este ocorrido. E me enoja ouvir aqueles políticos sujos demonstrarem suas condolências, sendo que são da pior classe de bandido que existe! Ou a gente esquece que há crianças de menor idade que as de ontem, que morrem diariamente por não terem uma casa para morar, o pão de cada dia e condições mínimas de saneamento básico e higiene pessoal? Isso não comove?!

A mídia é quase uma entidade só. Sensacionalismo e falta de moral são duas pequenas características dessa massa terrível que nos bombardeia todos os dias com bobagens. Eu fico realmente indignado quando vejo nos jornais as pessoas fazendo comentários bonitos e se comovendo com essa chacina. É claro que foi um caso isolado e terrível - não nego isso de forma alguma. Não pretendo minimizar o problema de ontem e muito menos dizer que não estou abalado. Mas se abrirmos nossos olhos, um pouco além do que temos feito, veremos que diariamente coisas terrivelmente piores acontecem! E diante de nós! Mas nosso orgulho e ganância, além da sensação de bem-estar e comodismo simplesmente nos roubam qualquer comoção que não seja coletiva. É fácil chorar quando a televisão chora. É simples reclamar das coisas quando um especialista fala abertamente sua opinião. Nessas horas há opinião para tudo. Mas e daqui a uma semana, um mês, quando isso tudo tiver sido esquecido? Voltaremos a sorrir e ninguém mais estará abalado até que outro drama seja noticiado pela imprensa. E assim a vida segue. Ou alguém aí lembra do que ocorreu no complexo do Alemão? Ou da gripe H1N1? Até mesmo alguém se lembra do Big Brother 11? Não! Esquecemos das coisas muito rapidamente! E sabe por quê? Porque a mídia tem esse objetivo. Eles ganham o máximo de audiência com determinado assunto e depois simplesmente enxugam ele e jogam fora. Alguém lembra das crianças que passam fome? Dos pais sem condições de criar seus filhos devido a uma escória que determina um salário digno de um animal - sendo que muitos animais por aí tem melhores condições! -, enquanto os parlamentares pobres desta amada pátria estão ganhando Iphones para poder se comunicar? Isso é que irrita! Isso comove! Não apenas um fato isolado, mas sim casos diários onde milhares morrem sem qualquer chance a um grito de socorro!

Achei incrível a forma como a ideia do desarmamento ressurgiu das cinzas. Até parece de propósito, para mais uma vez nos tirar do foco. Eles deveriam é tirar dinheiro do político e não arma do cidadão! O armamento do corrupto é o dinheiro que ele tem, a maldade em seu coração. Isso é indigno e repudiante. Não estou dizendo que sou ou não a favor do desarmamento. Mas de que adianta desarmar, na tendência de cumprir determinadas leis, quando na realidade essas leis nunca se cumprem? Alguns usam o exemplo de grandes nações civilizadas, onde nem mesmo a polícia tem direito a armas letais - como é o caso da Inglaterra. Mas isso é ser insano e incoerente. Lá, as coisas funcionam! As leis são cumpridas, a corrupção existe, mas não é impune. Numa bagaça como esse nosso país - em termos de política e sociedade - não há a menor chance de, na ideia de desarmar o cidadão, desarmar o bandido. Por acaso a droga aqui é legalizada? E onde o bandido consegue esse tipo de produto? É só pensar por minutos e colocar os pensamentos em ordem. Não precisa muito.

Acredito que nada vai melhorar enquanto continuarmos vivendo da forma como estamos. Não se trata de buscar os culpados, de lamentar pelo que aconteceu e chutar o balde. Se trata, sim, de olharmos para tudo com olhos críticos! Se cada um fizer algo, por menor que seja, podemos mudar a vida de muitas pessoas. Basta agirmos com amor e com coerência. Enquanto estamos comprando nosso centésimo par de tênis, alguém está precisando de um prato de comida. Enquanto os programas de TV dão milhões para pessoas que não precisam, jogando dinheiro no lixo, milhões de pessoas sofrem na necessidade. Enquanto os políticos sujos ganham zilhões em suas corrupções, crianças morrem em escolas como ocorreu ontem. Tá na hora de um basta. Chega de aceitar tudo que esse povo medíocre que veste prada diz! Quem sabe se um dia as pessoas olharem para o amor de Deus e o conhecerem, poderemos ter alguma mudança.

3 de abr de 2011

Absoluto x Relativo

Oi! Minha namorada mexeu nesse blog de uma forma incrível que eu nem sabia que tinha feito! Interessante que a gente tem ele juntos, e ela não me fala nada! Mas tudo bem! Eu a perdôo! Hehehe...

Passada a brincadeira, vamos ao assunto de hoje. Bom, para começar, devo dizer que faz muito tempo mesmo que não posto nada em blogs. Tenho um particular - que dá vontade de desativar, de tão parado - e esse. Nunca havia postado nesse, e decidi fazê-lo hoje pela primeira vez. Espero que dê certo!

Hoje quero falar sobre um assunto muito legal e pertinente. Trata do conceito de relativo e absoluto. Costumamos ouvir as pessoas falarem "isso é relativo", "aquilo é absoluto", "tenho certeza absoluta". Mas afinal, o que isso tudo significa, e onde Deus se encaixa nessa história?

Vamos buscar conceitos de senso universal, em algum dicionário. Uma busca rápida no Michaelis nos fornece alguns significados para absoluto e relativo. Irei destacar os mais pertinentes para este texto:

Relativo: 1 Que serve para exprimir relação.  3 Filos Que depende de certas condições. 7 Filos Que não é absoluto. 8 Que é calculado com referência a uma proporção, a um valor comparativo; proporcionado. 

Absoluto: 1 Que subsiste por si próprio. 2 Que não tem limites, que não sofre restrição. 5 Incondicional. 6 Incontestável. 7 Quím Diz-se de algumas substâncias completamente puras: Álcool absoluto. 
Com esses conceitos em mãos, vamos desenvolver nossa ideia. Note que relativo é diretamente oposto a absoluto. Um é antônimo do outro. Portanto, o que um representa o outro não pode representar. É o mesmo que tentar dar dois papéis a um ator, na mesma cena de um teatro. Se analisarmos os significados de relativo, percebemos que um deles sugere referência e comparação, além de dependência. Isto é, para ser relativo, deverá haver um padrão, uma premissa. No caso do absoluto, não há limite, restrição. É totalmente incondicional e incontestável. Para ser absoluto, basta ser. 
Muitas pessoas tendem a afirmar "tudo é relativo". Ou pior, "a única coisa que sei é que tudo é relativo". Será que essa pessoa não se dá conta de que a própria afirmação dela pode, então, ser relativa? Se tudo for relativo, qualquer afirmação minha deixa de ser absoluta para ser relativa, sofrendo restrições e dependendo de certas condições. Desse modo, dizer que tudo é relativo acaba por excluir a premissa de que a afirmação é correta. Confuso? Um pouco, mas me deixe exemplificar. Albert Einstein, famoso físico e cientista alemão, postulou a conhecida Teoria da Relatividade. Einstein não afirmou que tudo é relativo, mas que o tempo é relativo. Como ele chegou a essa conclusão? Vou explicar com poucos detalhes. Imagine uma pessoa dentro de um trem em movimento, segurando em sua mão uma pequena bola (esfera). Fora do trem há um observador. Quando o trem passar pelo observador, a pessoa larga a bola, que cai sobre uma mesa. O observador não percebeu uma trajetória retilínea de queda, mas, devido ao movimento do trem, uma trajetória diagonal. A pessoa do trem observou apenas a bola caindo, em trajetória reta. Isso significa que o observador externo teve uma diferente perspectiva, referência. Portanto, se calcularmos o tempo dentro do trem e o tempo fora dele, haveria alguma discrepância. Isso significa que o tempo é relativo ao observador, à referência. A física explica que conforme a velocidade do corpo, o tempo pode mudar e passa a ser relativo, deixando de ser absoluto - assim como o é para nós, meros mortais. Agora, pense em um pedaço de papel. Cada lado possui uma cor diferente. Mas o papel é o mesmo. Digamos que alguém esteja do seu lado oposto e veja a cor verde, enquanto você incontestavelmente enxerga o vermelho. Você pode afirmar que o papel é, absolutamente, vermelho, pois não conhece o outro lado. O outro observador, diz o contrário e ambos estão certos. Mas, na realidade de um terceiro observador que vê os dois lados, de acordo com seu intelecto, pode afirmar que o papel é, absolutamente, verde e vermelho, mas que, relativamente, pode ser verde ou vermelho. Portanto, dependendo da referência de espaço, a cor do papel é diferente. Isso é ser relativo e absoluto. Não sei se fui mais claro ou piorei a situação. De qualquer forma, espero que tenham compreendido.

E o que isso tudo pode ter a ver com Deus e religião? Muitas coisas. Deus é um ser que cremos ser absoluto, ou seja, o máximo do máximo. O "grande Eu sou". Aquele que era, é e há de ser para sempre. Ou seja, na concepção cristã, Deus é o Senhor absoluto, incontestável, que sempre existiu e nunca deixará de existir. Não pode ser relativo, pois não há referências a se basear. O início e o fim é Ele. Com relação à religião, podemos tomar alguns conceitos realmente importantes. Quero mencionar uma frase muito comum entre os ateus e agnósticos. Algo realmente impressionante. Não tenho por objetivo criticar a crença deles (de não crer em Deus e crer em outras coisas), nem mesmo discriminar. Não desejo entrar no mérito hoje, mas o farei em outra oportunidade. No entanto, para demonstrar uma situação muito clara, a frase é: "seja bom por ser bom". Há um tempo eu vi que em alguns países europeus estava se difundindo essa ideia. Alguns ateus a divulgavam em ônibus, praças públicas. Mas eu pergunto: o que é ser bom? Será que o ateu tem a resposta a essa pergunta? Para não dizer que estou discriminando alguém, será que qualquer um nesse mundo tem resposta a essa pergunta? Jesus em determinado momento foi chamado de "bom" e disse "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus". O que Cristo queria dizer, implicitamente, foi "Deus é a referência de bondade, Ele apenas sabe o que isso significa". Ninguém nesse planeta pode dizer que detém o conceito de bondade. Mas, para os céticos, vamos tentar. Ser bom é o que? Vamos definir alguns conceitos:
1 - Ser carinhoso com todos e nunca se irar. Dar esmolas e fazer o bem. 
2 - Ser amoroso com todas as pessoas, não ser mentiroso, ser justo.
3 - Ser honesto e nunca passar a perna nos outros.
4 - Não fazer nada de mal aos outros e agir com os demais conforme agiria comigo mesmo. 
Devo parar por aqui, pois não tenho criatividade para inventar tanta coisa! Analise comigo o primeiro que escrevi: ser carinhoso é ser bom? Talvez. Não há nenhum padrão mundial ou universal que me leve a crer nisso. Irar é ser mau? Talvez sim, mas depende da situação. Dar esmolas é justo? É digno ou o melhor é dar emprego? Isso é absoluto ou relativo? E, por fim, afinal, o que é fazer o bem? Não sei! O segundo diz que devemos ser amorosos com todas as pessoas. Mas e aqueles que nos fazem mal, devemos amar? Se sim, como amar quem nos machuca diretamente? Mentir é ser mau? Como ser justo? Dessa forma, sonegar impostos e comprar bebidas alcoólicas, investindo em empresas que geram mortes indiretas diárias são más atitudes. O terceiro diz para sermos honestos e nunca passarmos os outros para trás. Ao baixarmos uma música da internet, estamos sendo honestos e justos ou prejudicando o trabalho de alguém? A quarta nos diz que devemos ser o espelho das nossas atitudes. Então, nada que não desejamos para nós mesmos, devemos fazer aos outros. Isso é simples, fácil? Isso é ser bom? Será? Acho que não! Nenuma dessas definições me convence e com certeza a ninguém. Portanto, concluímos que é impossível ser bom apenas por ser bom, pois ser bom não é definido em qualquer lugar e não é um conceito absoluto que nasce com o ser-humano. Se ser bom é relativo, precisamos de uma referência. Pense na pessoa mais boa que conhece. Ela é totalmente boa, em todas as suas atitudes, sem qualquer falha? Não. Nenhum ser-humano consegue essa proeza. Então, a conclusão a que chegamos é que ser bom depende de uma referência maior, algo que está acima do entendimento humano e acima da ciência desenvolvida por nós ao longo da história. Ou seja, um referencial perfeito de bondade.

O ser-humano está longe de conhecer todas as questões absolutas da vida. Nós lidamos diariamente com verdades (que tendem ser sempre absolutas), mas invariavelmente nos deparamos com conceitos que são meros produtos de referenciais. Absoluto e relativo estão sempre ao nosso lado. Devemos ser hábeis para entender as coisas que se apresentam dessas formas. Como ser-humanos pensantes, devemos saber diferenciar um do outro. Alguém pode dizer, "mas tudo é relativo, sim!", "talvez a minha afirmação seja relativa, existam coisas que não sabemos, que são relativas e não absolutas, conforme um referencial diferente do nosso". Se pensarmos assim, podemos jogar fora todos nossos conceitos de ciência, pois se houve mudança de referencial e o absoluto não nos é mais absoluto, qualquer afirmação científica deixa de ser absoluta para o nosso mundo, podendo ser assumida como mentira, o que facilitaria as coisas para os religiosos do mundo todo manterem suas crenças. 

Sei que este texto foi um pouco complexo e até meio "maluco". Mas compreender esses conceitos tão corriqueiros é essencial para que possamos enxergar o mundo com os olhos certos e baseados em fatos e pensamentos coerentes. Que Deus nos dê sabedoria para continuarmos nossa caminhada com fé e olhando para Ele.

16 de mar de 2011

Faça a sua parte

Por Francis Chan

Estou o tempo todo procurando me manter em sintonia com o Espírito Santo, mas é uma luta constante. Ser submisso e abri mão de tudo é uma atitude radical e assustadora. No entanto, quando penso com mais profundidade a respeito disso, percebo que caminhar segundo a minha sabedoria, e não de acordo com a orientação do Espírito, é ainda mais assustador. Embora eu lute, sei que, em última análise, nada mais quero além de viver em rendição e entrega total ao Espírito em todos os momentos que me restarem na terra.

O Espírito pode me levar a fazer um sacrifício financeiro total, ou então me conduzir a uma atitude de humildade em relação às opniões das pessoas que me cercam. O Espírito pode pedir que eu mude para outra cidade, outro estado ou mesmo outro país. O Espírito pode me orientar a permanecer onde estou e utilizar meu tempo de maneiras bem diferentes do que faço agora. Ele poderia me levar a fazer coisas como o que está narrado em 2 Samuel 6, em que Davi dançou (o texto diz "vestindo o colete sacerdotal de linho", o equivalente às roupas de baixo dos sacerdotes) diante do Senhor "com todas as suas forças" (v. 15). Outras pessoas ficaram envergonhadas daquela demonstração de adoração a Deus indigna de um rei, mas Davi disse que não se importava, e que ele se rebaixaria muito mais diante do Senhor. Ele só se importava em adorar a Deus.

Quando leio essa história, parte de mim diz: "sim, quero viver como Davi. Quero me esquecer do que as outras pessoas pensam e adorar meu Rei com todas as minhas forças". A outra parte diz: "Tudo bem, mas, pensando em termos práticos, o que foi aquilo?". Como posso andar em tal intimidade com o Espírito a ponto de minha reação mais autêntica à sua ação ser dançar sem preocupação, sem ligar se as pessoas à minha volta vão achar aquilo tudo inapropriado? E será que não devo mesmo me importar com o que os outros pensam a meu respeito?

Acredito que o ponto crucial dessa questão é entender que ser cheio do Espírito Santo não é um ato instantâneo. Quando lemos, em Gálatas, sobre o Espírito e a carne, vemos que andar no Espírito implica um relacionamento contínuo. Ser cheio do Espírito não se limita ao dia em que conhecemos Cristo. Em vez disso, ao longo das Escrituras lemos a respeito de um relacionamento que nos convoca a uma busca ativa pelo Espírito Santo.

Os cristãos não podem jamais perder o Espírito, mas precisam buscar ser cheios dele o tempo todo. A santificação é um processo no qual nos engajamos a vida inteira. O texto de 2 Coríntios 3:18 afirma: "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem o Senhor, que é Espírito". (cf. tb. 2 Ts 3:13 e Rm 15:16)

Imagine que eu compre uma esteira ergométrica para perder algum peso. Três meses depois, levo de volta à loja e reclamo ao balconista que não funcionou - não perdi nenhum quilinho.
Ele me pergunta:
- Qual foi o problema? O aparelho não funcionou direito?
E eu respondo:
- Não sei se funciona, nunca corri nele. Só sei que não perdi peso algum, por isso não quero mais saber dessa esteira!

Pode parecer um exemplo bobo, mas modifique os detalhes e, de repente, a coisa parecerá bastante familiar: "Tenho orado para que o Espírito Santo me liberte da minha lascívia e, mas continuo viciado em pornografia". Ou: "Orei durante anos para ser capaz de perdoar meu pai, mas ianda tenho raiva e ressentimento, trinta anos depois". Ou ainda: "Oro há muito anos para me livrar da glutonaria, mas apesar da oração, dos grupós de apoio espiritual e da dieta, continuo sendo uma pessoa que come de maneira compulsiva e nada saudável". Escolha o pecado que mais incomoda você e, de repente, a ilustração da esteira ergométrica passa a não ser tão boba assim. Na verdade, parece que essas orações por libertação daquele pecado insistente não "funcionam" muito bem, da mesma maneira que a esteira não me ajudou a perder peso.

Receber libertação e cura como resposta à oração não costuma ser algo feito para você, uma situação na qual não passa de um participante ativo. Às vezes, Deus opera dessa maneira; ele simplesmente cura ou libertauma pessoa por completo. Com certeza, ele é capaz de fazer isso. No entanto, por experiência própria, ele geralmente nos pede para desempenhar um papel ativo na jornada rumo à plenitude. Ele não precisa de nossa ajuda, mas nos convida a participar. Com frequência, essa jornada em direção à liberdade leva tempo; às vezes, muito tempo mesmo. E exige perseverança. Exige participação nossa. Temos de subir na esteira ergométrica e correr - ficar apenas olhando a máquina não ajuda muito. (cf. tb. Rm 12:11 e 1 Ts 5:19)

Você já se viu preso em um círculo de pecado por muito tempo? Já desistiu do Espírito Santo e se resignou ao pensamento de que ele não "opera ou não tem poder para promover a libertação - não pelo menos, em sua vida? Se essa descrição serve para você, então talvez ainda não tenha assimilado esta realidade: caminhar com o Espírito requer ação de sua parte.

O fato é que, se você estivesse em sintonia com o Espírito Santo, se ouvisse e obedecesse, não pecaria. (cf. Gl 5:16). A partir de determinado momento, é possível viver no poder do Espírito Santo e do pecado ao mesmo tempo. O pecado faz oposição total a tudo o que é do Espírito. Eles são mutualmente excludentes e totalmente contrários um ao outro. Isso não significa que, se você peca, não tem o Espírito Santo ou não é um seguidor de Cristo. Não significa que, quando peca, está deixando de ser submisso à autoridade e à presença do Espírito Santo em sua vida. Ele continua presente, mas o mais provável é que você esteja reprimindo ou ignorando seu conselho.

A maior esperança que temos nisso tudo é que, mesmo quando ignoramos o Espírito e pecamos, ele nos convence desse pecado. Embora pequenos de vez em quando, não somos governados nem escrevizados pelo pecado como éramos antes. Erradicamos a hegemonia do pecado sobre a nossa vida. Quando estamos em sintonia com o Espírito, ele nos lembra dessa realidade libertadora.

Fica óbvio quando alguém não anda em Espírito (pelo menos, não de modo consistente). O que você vê e sente de uma pessoa assim é ira, egoísmo, contenda, amargura e inveja. No entanto, quando uma pessoa se submete ao Espírito Santo de forma habitual e ativa, ela gera o fruto do Espírito. O Espírito Santo jamais conduzirá você (nem pode fazê-lo) ao pecado. Se ele habita de fato em sua vida, então só pecará quando não der ouvidos à orientação do Espírito Santo.

12 de mar de 2011

O que aconteceu?


Um dia você acorda e percebe que o tempo passou muito rápido. As coisas mudaram ao seu redor e você nem sentiu. Mas agora, as coisas começam a clarear e tudo o que você vê é que aquelas cores maravilhosas que alegravam o seu dia não estão mais lá. Aí você se pergunta o que aconteceu?

Você sai da cama com os lençóis amarrotados de uma noite mal dormida, sua cabeça confusa pesa cheia de dúvidas e o seu corpo se arrasta com o coração vazio e então se pergunta o que aconteceu?

Você invade o corredor inquieto e procura o mesmo ambiente que um dia fora agradável e tranquilo. Mas as coisas mudaram. Está tudo de pernas pro ar e você se pergunta o que aconteceu?

Você pára pra pensar um pouco com as mãos apoiadas na parede e a cabeça entre os braços e se esforça pra lembrar o que houve na noite anterior. Mas não consegue lembrar porque não foi da noite pro dia que as coisas mudaram. Você anda pela sala empurrando as tralhas no chão com os pés e se pergunta o que aconteceu?

Logo lhe vem a mente uma saudade. Você sente falta de algo que habitava alí. Você sente falta de alguém que mantinha tudo em ordem, que preenchia aquele lugar e fazia tudo ser mais bonito. Você sente falta do cheiro bom que exalava pela casa, das risadas, da paz, da voz. Você sente falta do amor e se pergunta o que aconteceu?

Você procura no meio da sujeira e dos trapos empilhados nos cantos o que havia perdido. Você procura aquilo que levou a vida embora daquele lugar, mas não encontra. Ele não está aqui.

Com o choro entalado na garganta e um sentimento de perda e vazio que nunca havia sentido, você vai até a porta. E antes que você tocasse a maçaneta empoeirada, alguém bate suave toc, toc, toc. Você fica com medo de abrir, olha pra trás e vê todo aquele lixo e sente uma profunda vergonha. Você não quer que ninguém mais veja como está a sua casa.

Mas ele insiste e pergunta com uma voz muito doce e aconchegante tem alguém aí?. Você se assusta com essa voz e logo vem a sua mente várias lembranças ao mesmo tempo. Você lembra das cores, do cheiro, da beleza, da paz... e então lembra daquele amor. É ele! É ele! Você pensa entusiasmada e cheia de esperança. Mas novamente você olha pra trás e vê a sua vergonha. Você pensa em arrumar aquela bangunça, mas sabe que sozinha não vai conseguir. Você hesita em abrir a porta, mas não resiste. Você precisa dele.

Você toca na maçaneta suja, fecha os olhos e com a cabeça baixa abre a porta devagar. Ele tenta olhar nos seus olhos mas você tem vergonha. Então ele a cumprimenta Olá, minha querida... Seus olhos ficam marejados e tudo o que você quer é se desmanchar no seu abraço como muitas vezes já fez. Mas você está suja e com muita vergonha, então olha para ele e pergunta o que aconteceu?

Você está profundamente triste e confusa. Você não sabe como chegou naquela situação e sente muito por isso. Você não sabe o que aconteceu e gostaria muito de descobrir no meio de toda aquela desordem o que aconteceu?

Finalmente, você olha pra ele e se depara com aquele doce olhar a sua espera, e não consegue pensar em mais nada. A sua bagunça já não é mais a sua preocupação. A sua casa imunda estava tendo a chance de se tornar o lar mais limpo e agradável que você já teve. Ele quer que você esqueça o que aconteceu. Então ele faz uma pergunta que responde à sua confusão: Posso voltar para sua casa? Aí você entende...